Jose Benedito Rodrigues
Contos, Crônicas
Textos

                    A saída do aconchego

 

 

                              A saída do aconchego do lar pode ou não ser frustrante, dependendo das condições de cada um ao sair. Eu não sei você, como foi tua vida passada e a atual, mas eu sei bem que eu sempre carreguei pela minha vida afora os dissabores e os traumas dos encontros e dos desencontros e dos acontecimentos que iam se sucedendo não só no passado como muitos deles aconteceram no presente e que ainda convivo com alguns deles que ainda fazem parte da minha vida. De uma coisa eu tenho a certeza plena e de que Eles marcaram para sempre a minha vida. E digo mais não é nenhum demérito aqui lembrar e recordar as coisas e os fatos antigos lembrando que eles compõe a minha história de vida e não tem como mudar. Mesmo porque os fatos antigos além de fazerem parte da história da minha vida também foram um ponto de partida para que eu buscasse as mudanças necessárias e assim foram. Eles de certo modo marcaram as minha épocas e as situações de momentos .A nossa primeira casa. A nossa casa era bem simples e fora comprada quando viemos de Inúbia Paulista. Na frente tinha um boteco e mais para o fundo alguns quartos e cozinha. Não tinha gás encanado e nem fogão a gás. Na cozinha um grande fogão a lenha. O quintal era enorme, e bem no meio do quintal um poço e um abacateiro. A minha mãe na cozinha. Sempre na cozinha e cuidando dos afazeres domésticos e das criançada. E o meu pai fazendo doces pra vender. Ele era um especialista em fazer doces. E era desta profissão que vinha alguns proventos financeiro para manter a casa. Ao meu pai cabia os afazeres externos que poderiam render alguns valores para manter as despesas da casa e da família. Ele não tinha uma profissão definida e nem uma escolaridade completa de ensino primário e nem de ensino médio, era difícil achar uma escola o que só aconteceria lá pela década de sessenta já no governo militar. Suas profissões eram doceiro, pipoqueiro, poceiro, fosseiro, verdureiro, lavrador e lenhador. Ele logo partiu! Deixando um vazio enorme naquela casa. O luto foi longo e difícil. O que fazer? Prenuncio de mais tempos difíceis chegarem. E não paravam de chegar. A família numerosa de crianças pequenas sentiu o baque, e deu uma desestruturada na base. E aqueles maiores que os outros um por um foram saindo daquela casa rumo a cidade grande. E eu também tentei sair uma vez, não deu certo. Eu ainda não tinha estudos suficientes e nem maturidade para assumir grandes responsabilidades. Tentei sair mais uma vez que também não deu certo, agora precisava de uma formação escolar e cumprir um ano de Serviço Militar, no qual acabei por fazendo também um curso de datilografia que mais tarde me ajudaria no trabalho bancário. E na terceira vez sim, agora casado, sai de lá rumo para São Paulo e pra nunca mais voltar e hoje já se foram mais de quatro décadas. Agora voltar pra lá não dá mais...

Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 11/10/2025
Alterado em 05/12/2025
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