Jose Benedito Rodrigues
Contos, Crônicas
Textos

                         O meu Jardim Marajá

 

               A abertura de novas terras no Oeste de São Paulo foi motivada principalmente pela expansão da economia cafeeira entre meados do século XIX e início do século XX. A cultura do café exigia solos de alta qualidade, e o Oeste Paulista possuía a fértil "terra roxa", ideal para o cultivo. Naquela época o café era o principal produto de exportação do Brasil, e a crescente demanda no mercado externo incentivava a ampliação das áreas de cultivo para maximizar a produção e os lucros. A expansão destas novas áreas de cultivo foi viabilizada e impulsionada pela construção e desenvolvimento da rede ferroviária, que permitiu o escoamento mais rápido e eficiente do café das novas fazendas que foram surgindo no interior até o porto de Santos para exportação.Um outro fator foi que com a gradual extinção da mão de obra escravizada (especialmente após a Lei Eusébio de Queiroz em 1850, que proibiu o tráfico negreiro), os fazendeiros do Oeste Paulista adotaram o trabalho de imigrantes, principalmente europeus, que vieram em grande número para trabalhar nas lavouras de café localizadas em toda a região de Marília, Garça, Pompéia, Tupã, Osvaldo Cruz, Lucélia, Inúbia Paulista, Adamantina, mais tarde Pacaembu. Antes de descrever sobre o meu bairro Jardim Marajá é necessário conhecer a história de como surgiu o Município de Pacaembu. Há dados históricos que indicam que os trilhos da Companhia Paulista de Estrada de Ferro estavam avançaram avançando em direção ao rio Paraná, mais precisamente até o Município de Panorama localizado na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, e com isso abrindo caminho para o desenvolvimento de toda região do Oeste Paulista. Inicialmente surgiu ali o povoado de Guaraniúva, fundado por Oswaldo Flácio Teixeira, e que foi na época o povoado que apresentou maior concentração de habitantes e progresso, por essa razão sendo elevado a Distrito de Paz, pertencente ao município de Lucélia, em novembro de 1944. Como definir o meu antigo bairro Jardim Marajá em Pacaembu? Dentro de tudo aquilo que conheço e recordo seriam o tamanho e a sua localização geográfica, as poucas casas e ruas que ali existiam, a falta de saneamento básico, energia elétrica, esgoto , asfalto nas ruas que na década de 50 ainda não existiam naquele lugar e as muitas histórias e memórias de meus pais que ali chegou e ajudou com seu trabalho a desbravar aquele novo bairro que estava ainda surgindo naquele lugar e que mais tarde toda a minha família ali viveu por muitos e muitos anos passados. Eu nasci nos primórdios da década de cinquenta em meio a um povoado chamado Ibirapuera, hoje Inúbia Paulista, que também acabara de conhecer o inicio de um processo de colonização naquelas terras localizadas entre o Rio Aguapei e o Rio do Peixe, portanto naquela época aquela região eram de terras cultiváveis que, além das derrubadas das matas, os cortes nos morros em forma de laranja abrindo passagem para a ferrovia e as clareiras sendo abertas no meio da matas e que estas seriam usadas principalmente para o plantio da lavoura de café. E tão verdade é que na antiga Estação do Brás há indícios de que para lá muitos imigrantes italianos e japoneses que chegavam no Porto de Santos eram contratados de imediato pelos fazendeiros e eles se dirigiam para aquelas terras distante para trabalhar na lavoura do café que movimentava na época a economia do Brasil. E claro não podemos esquecer que neste processo migratórios para aquela região muitos foram os nordestinos que para lá também se dirigiram em busca de terras para plantar, ajudar a desbravar aquela região e fixar residência ali mesmo. Eu, filho de pai baiano e de mãe mineira, desde pequeno já se dedicara a estudar, meu pai cuidava dos ganhos financeiros para custear a família plantando um roçado de amendoim, mandioca e milho isso além da profissão de doceiro, pipoqueiro e fosseiro abrindo poço e fossas e a minha mãe sempre nos afazeres domésticos e cuidava de todos nós que éramos em dez irmãos, sendo três homens e sete mulheres.

Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 11/11/2025
Alterado em 05/12/2025
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