Jose Benedito Rodrigues
Contos, Crônicas
Textos

                    O meu grupo escolar

 

                          Como já dissera antes, eu morava um pouco distante do centro em um bairro que vi crescer e onde passei toda a minha infância. Na verdade a cidade era bem pequena e ainda não tinha todas as melhorias de uma cidade. Ainda faltava ruas, avenidas, saneamento básico e a rede de água e esgoto estava começando a ser instalada. A energia elétrica também estava chegando e o gerador de energia ficava no município vizinho. A nossa casa era bem simples. Não tinha gás encanado e nem fogão a gás. Na cozinha um grande fogão a lenha. Todos os dias era comum logo cedo escutar meu pai rachando lenha. Aquilo era como se fosse um despertador o som do machado batendo sobre o tronco de lenha. A lenha rachada era o combustível para abastecer o fogão. Quando o tronco de lenha estava seco logo era rachado e levado para o fogão. Aceso e já em brasa, agora era a hora de ferver água em um grande bule. O coador feito de uma flanela branca com uma argola de arame grosso. Ali era colocado várias colheres de um café moído na hora. Ainda dá para sentir o aroma de café. A minha mãe me acordava bem cedo! Servia aquele café e depois devidamente uniformizado seguia para o Grupo Escolar Avamor Berlanga Mugnai. A minha primeira escola era um grupo escolar situado no Bairro Jardim Marajá na Cidade de Pacaembu - SP. E o ano inicial foi em 1964. O Grupo Escolar Avamor Berlanga Mugnai que tinha o nome do antigo prefeito da cidade. Uma justa homenagem, pois foi ele quem construiu durante o seu mandato, claro que depois houve alterações e hoje é uma EMEF. O grupo tinha um corredor enorme que ia de um pátio a outro. De um lado as salas de aulas e de outro a direção, secretaria e biblioteca. No início do corredor ficava o pátio e a cozinha onde era preparada a merenda escolar pela "Dona Zulmira". É oportuno lembrar do Sr. Waldemar e do Sr. Santin que cuidavam da segurança e da organização da escola. A metodologia de ensino do grupo era tradicional. Era uma escola com normas e regras rígidas a serem seguidas. Não era admitido atrasos de alunos e nem dos professores. E isso o Diretor Sr. Celso, fazia com que todos cumprissem. Era obrigatório á todos os alunos cantarem o Hino Nacional enquanto hasteava a bandeira. O "Regime Militar" pairava no ar! O professor era um sabedor de tudo. Seu principal instrumento de trabalho era o livro. Você lembra do seu primeiro livro escolar? O meu primeiro livro chamava "Caminho Suave". Isso mesmo, "Caminho Suave", ainda lembro muito bem do seu conteúdo. Devo ter lido as lições umas centenas de vezes. Tal qual a "tabuada". A "tabuada", essa foi a culpada de vários puxões de orelhas que tomei por errar. Na época ninguém sonhava e nem arriscaria a aprovar a "lei das palmadas". O que chamamos hoje de "bulling", naquele tempo era uma brincadeira de crianças. Se bem que os professores em salas de aulas não aprovavam estas brincadeiras. Lembra que eu já disse que gostava muito de brincar. Custa-me dizer que eu não era tão adiantado na escola. Podia se dizer que eu era muito brincalhão e as vezes nem tão atento aos conteúdos escolares. Mal sabia eu o quanto são importantes todos aqueles conteúdos escolares passado pelos nossos professores. Eu ainda costumo dizer que quem estuda dedicadamente e sempre fielmente nunca mais será o mesmo. A "sineta escolar" soava anunciando a hora do recreio. Quem não ficava de "castigo" tinha todo o direito de participar da merenda escolar. Como alguém já disse, a merenda de início era uma caneca de café com leite ou leite com chocolate e bolacha de maizena. No dia da entrega do "primeiro livro" tinha uma festinha regada com refresco de groselha e bolacha. Eu lembro que mais tarde era servido arroz doce e canjica. Uma delicia!!!!! Ainda não tinha sopa na merenda escolar só mais tarde iria ser fornecida nos intervalos. Tudo aquilo e aqueles momentos na escola eram uma verdadeira magia, e olha que até o "castigo" era valorizado, pois incentivava sempre o aluno a estudar e se dedicar cada vez mais ao aprendizado escolar. Não sei porque, mas naquele tempo as horas dos dias eram bem definidas e podia se ter bem uma ideia pelo apito do trem que chegava ou que partia levando sonhos e grandes emoções...

Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 11/11/2025
Alterado em 05/12/2025
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