Falar de nossos jovens hoje em dia é lembrar dos seus comportamentos e estilo de vida diferente que eles levam. É claro que tem muitas exceções por aí e que me desculpem os pais que são diferentes e agem e educam seus filhos da melhor maneira possível. Em sua maioria eles querem os mais diferentes e os melhores presentes de aniversário e que atendam seus gostos e a moda deles. Querem ganhar o melhor e mais moderno iPhone no Natal ou por ocasião do fim do ano letivo. Bem isso é pra quem pode ou pra quem tenha avós bem financeiramente. Pois tudo isso tem um alto custo financeiro e presente custa caro. Alguns já estão ficando até surdos com seus fones de ouvidos e olha que se brincar não tiram nem pra tomar banho. Eles são tão jovens e já tem centenas de coleguinhas e amigos virtuais. Conversam, jogam e discutem os mais variados assuntos o dia inteiro e noite e não gostam de serem interrompidos. Não pensam e nem medem os riscos ao se conectar com estranhos do outro lado do aparelho. Raramente vão a um culto, uma missa, uma reunião ou festa social ou familiar. Se não for top e rápida, não vão. Possuem um alto grau de exigência. E sempre conseguem tudo o que querem. E dai pai, mãe e avós são pra isso né? Que mal faz? Os pais já nem precisam brincar com eles. O celular e os jogos virtuais fazem isso. Os pais não precisam buscar nas festas e baladas. O Uber e o 99 já fazem isso. Os pais não precisam cozinhar. Tem o Ifood que faz isso e trás na casa a qualquer hora. Quem paga a conta? Os pais já não precisam nem educar. A escola integral faz isso. E daí? Que mal faz? Criar filhos está "mais fácil" e mais cômodo, afinal, a criança resolve tudo com cliques na tela. E daí? Que mal faz?E aí vêm as primeiras frustrações: um não aqui, uma porta fechada ali, uma responsabilidade acolá. E eles estranham. Reagem mal. Se magoam fácil. Desistem cedo. Porque ninguém lhes ensinou a durabilidade das coisas, apenas a descartabilidade.Também não aprenderam que respeito não se exige - se conquista. Que amizade não se mede por números se constrói. Que amor não se compra com presentes se cuida. Que família não é aplicativo que se desinstala é raiz. E quando esses jovens, tão exigentes e tão imediatistas, se tornam adultos, aí sim percebemos o tamanho do buraco. Querem tudo, mas não sabem como conseguir. E assim vamos seguindo, acreditando que "o mundo mudou" e que tudo isso faz parte da modernidade. Mas o que ninguém quer admitir é que, no fundo, estamos confundindo conforto com abandono, tecnologia com substituição, liberdade com falta de limite. E quando a conta chega porque ela chega já é tarde. Os mimizentos crescem achando que o mundo gira no ritmo do Wi-Fi. Se demora, irritam-se. Se dá erro, reclamam. Se não gostam, cancelam. E, aos poucos, vão perdendo a paciência para a vida real - aquela onde as coisas não têm atalho, não têm botão de reiniciar e muito menos oferecem "atualização automática".