O canto do retrato
E o retrato?
O meu retrato?
Ali ficou, sentinela do passado,
sobre a mesa antiga da casa onde o tempo aprendeu a esperar.
Não sei que destinos o levaram,
nem que olhos por fim o viram.
O retrato é silêncio agora.
Mas as lembranças... ah, essas caminham comigo, mesmo dispersas,
mesmo feridas,
espalhadas pelos anos como folhas levadas pelo vento.
Muito tempo passou.
Muito tempo passou.
Ergueram-se perguntas como muralhas partidas,
sem eco, sem resposta.
Então minhas mãos se erguem,
não em rendição,
mas em aliança com o eterno.
Eu agradeço à terra,
à casa,
aos dias simples e às dores vencidas.
E é na fé que me firmo força antiga,
bálsamo sagrado,
capaz de sarar as marcas profundas do tempo.
E é na fé que me firmo força antiga,
bálsamo sagrado,
capaz de sarar as marcas profundas do tempo.
Naquele chão abençoado,
doce e eterno, onde nasci,
me fiz homem,
e deixei a alma para sempre.
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 13/12/2025