A abertura de novas terras no Oeste de São Paulo foi motivada principalmente pela expansão da economia cafeeira entre meados do século XIX e o início do século XX. A cultura do café exigia solos de alta qualidade, e o Oeste Paulista possuía a fértil terra roxa, ideal para o cultivo. Naquela época, o café era o principal produto de exportação do Brasil, e a crescente demanda no mercado externo incentivava a ampliação das áreas de cultivo para maximizar a produção e os lucros. A expansão dessas novas áreas foi viabilizada e impulsionada pela construção e pelo desenvolvimento da rede ferroviária, que permitiu o escoamento mais rápido e eficiente do café das fazendas do interior até o porto de Santos para exportação. Outro fator importante foi a gradual extinção da mão de obra escravizada — especialmente após a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que proibiu o tráfico negreiro. Diante disso, os fazendeiros do Oeste Paulista passaram a adotar o trabalho de imigrantes, principalmente europeus, que vieram em grande número para atuar nas lavouras de café em toda a região de Marília, Garça, Pompéia, Tupã, Osvaldo Cruz, Lucélia, Inúbia Paulista, Adamantina e, mais tarde, Pacaembu. Antes de descrever o meu bairro, Jardim Marajá, é necessário conhecer a história de como surgiu o município de Pacaembu. Há dados históricos que indicam que os trilhos da Companhia Paulista de Estrada de Ferro avançavam em direção ao rio Paraná — mais precisamente até o município de Panorama, localizado na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul —, abrindo caminho para o desenvolvimento de toda a região do Oeste Paulista. Inicialmente, surgiu o povoado de Guaraniúva, fundado por Oswaldo Flácio Teixeira, que se destacou pela grande concentração de habitantes e pelo progresso. Por essa razão, foi elevado a Distrito de Paz, pertencente ao município de Lucélia, em novembro de 1944. Como definir o meu antigo bairro, Jardim Marajá, em Pacaembu? Dentro de tudo aquilo que conheço e recordo, destacam-se seu tamanho e sua localização geográfica, as poucas casas e ruas que ali existiam, a falta de saneamento básico, de energia elétrica, de esgoto e de asfalto — melhorias que, na década de 1950, ainda não haviam chegado ao local. Somam-se a isso as muitas histórias e memórias de meus pais, que ali chegaram e ajudaram, com seu trabalho, a desbravar aquele novo bairro que ainda estava surgindo e onde, mais tarde, toda a minha família viveu por muitos e muitos anos. Eu nasci nos primórdios da década de cinquenta, em meio a um povoado chamado Ibirapuera — hoje Inúbia Paulista —, que também começava a passar por um processo de colonização naquelas terras localizadas entre o rio Aguapeí e o rio do Peixe. Naquele período, a região era formada por terras cultiváveis que, além das derrubadas das matas, tinham cortes nos morros em forma de laranja para abrir passagem à ferrovia e clareiras sendo abertas no meio da mata, destinadas principalmente ao plantio da lavoura de café. É verdade que, na antiga Estação do Brás, há indícios de que muitos imigrantes italianos e japoneses que chegavam ao porto de Santos eram contratados de imediato pelos fazendeiros e enviados para aquelas terras distantes, para trabalhar na lavoura do café, que movia a economia do Brasil na época. E não podemos esquecer que, nesse processo migratório para a região, muitos nordestinos também se dirigiram para lá em busca de terras para plantar, ajudando a desbravar aquela região e a fixar residência. Eu, filho de pai baiano e mãe mineira, desde pequeno já me dedicava aos estudos. Meu pai cuidava dos ganhos financeiros necessários para custear a família, plantando roçados de amendoim, mandioca e milho, além de exercer as profissões de doceiro, pipoqueiro e fosseiro — abrindo poços e fossas. Minha mãe estava sempre nos afazeres domésticos e cuidava de todos nós, dez irmãos ao todo: três homens e sete mulheres.