Jose Benedito Rodrigues
Contos, Crônicas
Textos
As arvores
**As Árvores**

Desta vez,
eu estava ali,
sentado à sombra delas.

Havia naquele lugar
uma paz antiga,
dessas que silenciam o coração
e fazem o tempo caminhar devagar.

Tudo ao redor
me levava ao passado.

Agora havia tempo de sobra
para observar,
para lembrar,
para sentir.

E foi então
que me veio à memória
a pequena e verdadeira história
daquelas árvores.

Porque árvores também possuem destinos,
também carregam marcas,
também conhecem perdas.

No princípio eram quatro.

Lembro-me bem:
foram plantadas no mesmo dia,
cada uma com sua pequena muda
plantada em um balainho simples.

Uma ao lado da outra.
Na mesma distância.
Sob o mesmo cuidado.
Sob o mesmo céu.
Sob o mesmo tempo.

E cresceram juntas.

Os anos passaram,
e seus troncos ganharam força.
As raízes mergulharam fundo
na busca silenciosa pela água da terra.

Os galhos se abriram ao vento,
as folhas dançaram sob as chuvas,
ventania, frio, calor,
e logo alcançaram
a altura dos postes de luz.

Pareciam iguais.
Mesma cor.
Mesmo formato de planta.
Mas cada uma guardava
sua própria alma.

Então o tempo,
que constrói,
também começou a levar.
E leva sem avisar.

Uma delas foi cortada.

Restou apenas o tronco,
ferido e imóvel.
Agora sem vida.

Depois secou.
Não brotou mais.

E das quatro,
restaram três.

Vieram as podas.
Os galhos caíram.
As folhas se espalharam pelo chão.

A sombra diminuiu.

O que antes era beleza e abrigo
transformou-se quase
numa escultura sem forma,
num desenho incompleto daquilo que um dia foi inteiro.

E olhando para aquelas árvores,
eu compreendi:

assim também é a vida.

O tempo nos poda.
As perdas nos atravessam.
Partes de nós caem ao chão.

E muitas vezes seguimos adiante
sem entender exatamente
o que nos tornamos.

Sem definição.

Mas ainda de pé.

— **Benedito José Rodrigues**
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 20/05/2026
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