Lançai a rede
Lançai a Rede
Depois da cruz,
quando o silêncio ainda pesava sobre o mundo
e os corações dos discípulos caminhavam
entre o medo e a esperança,
Jesus voltou a aparecer.
Foi à beira do mar de Tiberíades,
onde as águas guardavam memórias antigas
e o vento carregava o cheiro da pesca e da fé.
Ali estavam reunidos:
Simão Pedro,
Tomé, chamado Dídimo,
Natanael de Caná da Galileia,
os filhos de Zebedeu
e outros discípulos.
Então Pedro disse:
— Eu vou pescar.
E os outros responderam:
— Nós também iremos contigo.
Entraram na barca
e atravessaram a noite inteira
lançando redes sobre as águas escuras.
Mas nada apanharam.
Nem um peixe.
Nem um sinal.
A madrugada nasceu silenciosa.
E na margem,
de pé sobre a terra firme,
estava Jesus.
Mas eles ainda não o reconheciam.
Então aquela voz,
eterna e serena,
rompeu a distância entre o céu e os homens:
— Moços, tendes alguma coisa para comer?
Responderam com o peso do fracasso:
— Não.
E Jesus lhes disse:
— Lançai a rede à direita da barca, e achareis.
Eles obedeceram.
E naquele instante,
a rede se encheu de tal maneira
que já não conseguiam puxá-la,
por causa da multidão de peixes.
Então o discípulo amado exclamou:
— É o Senhor!
Ao ouvir aquelas palavras,
Pedro não esperou mais.
Vestiu-se às pressas
e lançou-se ao mar,
como quem mergulha não apenas nas águas,
mas de volta ao encontro da esperança.
Os outros vieram na barca,
arrastando a rede pesada,
carregada pela abundância do milagre.
Quando chegaram à margem,
viram brasas acesas,
pão e peixe preparados.
O Ressuscitado os esperava.
Não apenas com alimento para o corpo,
mas com alimento para a alma cansada.
E Jesus disse:
— Trazei alguns dos peixes que apanhastes.
Pedro então puxou a rede para terra.
Cento e cinquenta e três grandes peixes.
E mesmo tão cheia,
a rede não se rompeu.
Então Jesus os convidou:
— Vinde comer.
Nenhum discípulo ousava perguntar quem era.
Todos sabiam.
Era o Senhor.
E ali, à beira do mar,
entre o pão repartido
e o peixe servido sobre as brasas,
Jesus mais uma vez ensinava
que depois da noite vazia,
da dor,
da cruz
e do silêncio,
sempre haverá um novo amanhecer
para aqueles que ainda têm coragem
de lançar suas redes ao mar da vida.
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 20/05/2026
Alterado em 20/05/2026