Jose Benedito Rodrigues
Contos, Crônicas
Textos
Lançai a rede
Lançai a Rede

Depois da cruz,
quando o silêncio ainda pesava sobre o mundo
e os corações dos discípulos caminhavam
entre o medo e a esperança,
Jesus voltou a aparecer.

Foi à beira do mar de Tiberíades,
onde as águas guardavam memórias antigas
e o vento carregava o cheiro da pesca e da fé.

Ali estavam reunidos:
Simão Pedro,
Tomé, chamado Dídimo,
Natanael de Caná da Galileia,
os filhos de Zebedeu
e outros discípulos.

Então Pedro disse:

— Eu vou pescar.

E os outros responderam:

— Nós também iremos contigo.

Entraram na barca
e atravessaram a noite inteira
lançando redes sobre as águas escuras.

Mas nada apanharam.

Nem um peixe.
Nem um sinal.

A madrugada nasceu silenciosa.
E na margem,
de pé sobre a terra firme,
estava Jesus.

Mas eles ainda não o reconheciam.

Então aquela voz,
eterna e serena,
rompeu a distância entre o céu e os homens:

— Moços, tendes alguma coisa para comer?

Responderam com o peso do fracasso:

— Não.

E Jesus lhes disse:

— Lançai a rede à direita da barca, e achareis.

Eles obedeceram.

E naquele instante,
a rede se encheu de tal maneira
que já não conseguiam puxá-la,
por causa da multidão de peixes.

Então o discípulo amado exclamou:

— É o Senhor!

Ao ouvir aquelas palavras,
Pedro não esperou mais.

Vestiu-se às pressas
e lançou-se ao mar,
como quem mergulha não apenas nas águas,
mas de volta ao encontro da esperança.

Os outros vieram na barca,
arrastando a rede pesada,
carregada pela abundância do milagre.

Quando chegaram à margem,
viram brasas acesas,
pão e peixe preparados.

O Ressuscitado os esperava.

Não apenas com alimento para o corpo,
mas com alimento para a alma cansada.

E Jesus disse:

— Trazei alguns dos peixes que apanhastes.

Pedro então puxou a rede para terra.
Cento e cinquenta e três grandes peixes.

E mesmo tão cheia,
a rede não se rompeu.

Então Jesus os convidou:

— Vinde comer.

Nenhum discípulo ousava perguntar quem era.
Todos sabiam.

Era o Senhor.

E ali, à beira do mar,
entre o pão repartido
e o peixe servido sobre as brasas,
Jesus mais uma vez ensinava
que depois da noite vazia,
da dor,
da cruz
e do silêncio,
sempre haverá um novo amanhecer
para aqueles que ainda têm coragem
de lançar suas redes ao mar da vida.
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 20/05/2026
Alterado em 20/05/2026
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