E depois do Amanhecer
E Depois do Amanhecer
Depois daquela manhã,
o mar já não era apenas mar.
As águas de Tiberíades
haviam se tornado testemunhas
de um encontro eterno
entre a fragilidade dos homens
e a misericórdia de Deus.
Os discípulos estavam em silêncio.
O fogo crepitava lentamente.
O pão era repartido pelas mãos do Ressuscitado.
E o vento parecia carregar
uma paz que não existia antes.
Pedro mantinha os olhos baixos.
Dentro dele ainda ecoava
o peso da negação,
o som daquela noite escura
em que negara conhecer o Mestre
três vezes.
Mas Jesus não voltou
para condenar.
Voltou para restaurar.
Então o Senhor olhou para Pedro,
não com ira,
mas com amor capaz de reconstruir ruínas.
E perguntou:
— Simão, filho de João, tu me amas?
Pedro sentiu o coração estremecer.
Porque compreendeu
que Jesus não perguntava sobre coragem,
nem sobre força,
nem sobre perfeição.
Perguntava apenas sobre amor.
E Pedro respondeu:
— Senhor, tu sabes que eu te amo.
Então Jesus lhe disse:
— Apascenta os meus cordeiros.
Pela segunda vez,
o Senhor perguntou:
— Simão, filho de João, tu me amas?
E mais uma vez Pedro respondeu:
— Senhor, tu sabes que eu te amo.
Jesus então disse:
— Cuida das minhas ovelhas.
Pela terceira vez,
Jesus perguntou:
— Simão, tu me amas?
Pedro entristeceu-se.
Não porque o Mestre o acusasse,
mas porque o amor verdadeiro
sempre toca as partes mais profundas da alma.
Com os olhos marejados, respondeu:
— Senhor, tu sabes tudo.
Tu sabes que eu te amo.
E Jesus lhe confiou novamente a missão:
— Apascenta as minhas ovelhas.
Naquele instante,
Pedro compreendeu.
O amor de Deus
é maior que a queda dos homens.
Maior que o medo.
Maior que a culpa.
Maior que qualquer noite escura.
E ali, diante do mar,
o pescador ferido
renasceu discípulo outra vez.
Porque Cristo ressuscitado
não veio buscar homens perfeitos.
Veio levantar aqueles
que o tempo, a dor e o pecado
tentaram derrubar.
E desde então,
a voz do Mestre continua ecoando
sobre os mares revoltos da humanidade:
— Lançai a rede.
Mesmo quando faltar força.
Mesmo quando a noite parecer vazia.
Mesmo quando o coração estiver cansado.
Pois aquele que confia no Senhor
jamais regressa de mãos vazias.
Benedito José Rodrigues
Enviado por Benedito José Rodrigues em 20/05/2026
Alterado em 20/05/2026